segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Olhe firmemente para Cristo

 

Nos capítulos 11 e 12 de Hebreus, aprendemos sobre a fé. No capítulo 11 temos uma definição de fé e exemplos de servos de Deus que viveram pela fé. São vários exemplos de crentes que viveram no período do Antigo Testamento e que colocaram a sua fé em Deus e em suas promessas.

No capítulo 12 de Hebreus, o seu autor apresenta como é viver pela fé. Nos primeiros versos desse capítulo, o autor toma a figura de uma corrida que acontece em um estádio e a compara a vida cristã. Nessa corrida para sermos bem-sucedidos precisamos nos desvencilhar do pecado, “que tenazmente nos assedia”. Precisamos correr com perseverança, ou seja, assim como acontece em qualquer corrida, em que os corredores precisam perseverar e não desistir, assim, o mesmo deve acontecer na carreira cristã.

No verso 2 do capítulo 12, o autor dá outra recomendação e diz para olharmos firmemente para o Autor e Consumador da Fé, Jesus. Com tal qualificação dada a Jesus, o autor de Hebreus ensina que o Senhor Jesus se trata do modelo a ser seguido na carreira cristã. Ele é “o autor e Consumador da fé”, ou seja, foi Jesus quem inaugurou o caminho que trilhamos da fé, e ele mesmo é o fundamento desse caminho. Sendo assim, o sucesso que nos aguarda ao final dessa corrida, não depende de nós mesmos, mas de fixarmos os nossos olhos em Cristo Jesus.

Na corrida da fé, são muitas coisas que tentam fazer com que desistamos. Não se trata de uma corrida fácil. Às vezes, desviamos o olhar de Jesus, para nós mesmos. Outras vezes, somos desencorajados pelas circunstâncias, pelas lutas. Outras vezes damos ouvidos a voz do tentador, dizendo-nos o que devemos fazer. Quando essas coisas nos acontecem, precisamos erguer nossos olhos e fixá-los novamente em Jesus. Precisamos ouvir a sua voz. Precisamos de seu encorajamento e de seu “socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16). Jesus sim, deve ser o modelo a ser seguido e o fundamento de nossa vida cristã. Ele enfrentou a morte e a venceu. Ele enfrentou opositores e não sucumbiu à oposição (Hb 12.3).

Fixemos os nossos olhos em Cristo Jesus!

 

Deus é conosco e não nos desampara

 

“...como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem desampararei”.

(Js 1.5)

 

Depois da morte de Moisés, Josué foi chamado pelo Senhor para conduzir o povo de Israel para herdarem a terra prometida. Certamente esta era uma grande tarefa para Josué. Durante os quarenta anos no deserto ele havia acompanhado de perto a liderança de Moisés, o que serviu para forjar o caráter de Josué e fazer dele um líder. No entanto, isso não era suficiente para que ele fosse bem-sucedido em sua tarefa. Ele precisaria de algo maior.

O Senhor promete a Josué, assisti-lo, tal como havia feito com Moisés: “...como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem desampararei” (Js 1.5). Josué tinha um desafio à frente, que não seria realizado com base em sua força somente, mas com a ajuda e companhia do Senhor.

Temos aqui um princípio bíblico, ou seja, Deus sempre está com os seus servos, auxiliando-os e amparando-os diante dos desafios da vida. Seja no desenvolver de algum ministério para o qual ele nos chamou, ou no cumprimento dos preceitos de sua Palavra para vivermos uma vida santa, Deus se coloca ao nosso lado. Ele é conosco aonde quer que nos encontremos e diante da qual seja a situação. Deus nunca desampara o seu povo.

O Senhor Jesus, antes de ascender para o céu, encarregou seus discípulos de fazer discípulos de todas as nações, mas, semelhante a promessa que o Senhor fez a Josué, o Senhor Jesus promete estar com seus discípulos “todos do dias até à consumação do século” (Mt 28.20).

Deus é conosco e não nos desampara. Que tal promessa sirva-nos de encorajamento.

Recorra ao livro dos Salmos

 

O livro dos Salmos trata-se de uma fonte riquíssima, que temos ao nosso dispor, na luta contra a ansiedade e outras questões, que possam surgir em nossa caminha neste mundo tenebroso. Temos nesse livro, Salmos escritos por vários servos de Deus, em que retratam suas angústias e diversas experiências e demonstram por meio de tais escritos, como recorreram a Deus e receberam alívio.

Os salmistas diante de perigos, ou tristezas, ou em meio a dúvidas existenciais, ou mesmo quando pressionados por seus medos ou até mesmo pecados, recorreram a Deus e fizeram registrar suas experiências e por divina providência, tais escritos foram preservados e chegaram até nós, a fim de que nos servisse de auxílio e encorajamento. Que bênção para nós, podermos ler os Salmos e encontrar encorajamento para enfrentar nossas lutas e dessabores.

Comprove o que estou dizendo, ao ler por exemplo o Salmo 3. Este Salmo foi escrito por Davi quando fugia de Absalão, seu filho. Todos sabemos que isto ocorreu em consequência do pecado de Davi cometido com Bate-Seba. No entanto, apesar de tais consequências, Davi já havia sido perdoado pelo Senhor, e mesmo enfrentando as consequências de seu pecado, o salmista recorre a Deus e reafirma sua confiança no Senhor. Apesar da situação, na escrita do Salmo 3, Davi revela seu coração. Davi não se mostra aflito, nem tão pouco ansioso ou perturbado. Será que a leitura de um salmo como esse, não se torna oportuna quando somos pressionados por algum problema ou angústia? Será que Deus, por sua graça e poder, não pode falar conosco e nos encorajar ao ler esse salmo, quando enfrentamos circunstâncias angustiantes? Sim, é claro que sim.

A grande questão é que muitas vezes não recorremos à Palavra de Deus. Queremos uma outra solução ou não acreditamos que Deus possa usar a sua Palavra, ou de forma mais específica, o livro dos Salmos. Mas, não tenha dúvida disso, ou seja, que os Salmos estão na Bíblia, para nos encorajar e são parte da suficiente e poderosa Palavra de Deus.

Que Deus nos ajude nos ensinando a recorrer a sua Palavra e mais especificamente ao livro dos Salmos, como uma fonte riquíssima de recursos para enfrentarmos as nossas lutas e dissabores neste mundo.

“Não se irrite: isso só leva ao mal”

 

Salmo 37.8

 

Vivemos num mundo cheio de injustiça. Em cada esquina nos deparamos com ela. Assistimos os jornais e somos informados, que aquele criminoso que atentou contra a vida de alguém e de sua família, foi solto na audiência de custódia.  Enquanto a vítima ainda tentava se recuperar do trauma, o criminoso solto se preparava para fazer a próxima vítima.

É claro que tal situação é injusta, no entanto a nossa raiva ou indignação não nos fará bem, nem tão pouco servirá para mudar as coisas. Ao dizer isso não estou propondo que as coisas continuem como estão nem tão pouco que você viva de forma indiferente, mas precisamos entender que neste mundo, nunca encontraremos justiça, na expressão exata do termo.

O Salmo 37 nos aconselha, quanto a maneira como devemos reagir a injustiça. Certamente, a irritação contra o mal que aparentemente prospera, não é definitivamente a maneira como devemos reagir, pois, isso só nos leva ao mal (Sl 37.8). O Salmo 37 nos ensina que por mais que nos irritemos contra os malfeitores e o nosso coração seja tomado de ódio isso não nos fará bem e nem eliminará o mal e os malfeitores.

Confiar no Senhor, esperar nele e aguardar o seu juízo é o conselho que recebemos (Sl 37.3, 8-10). Às vezes, parece demorada a manifestação da justiça de Deus, mas, é mais sensato descansar na justiça divina do que na justiça humana. Dito de outra forma, a justiça de Deus não falhará, por isso não há razão para se irritar.

Que o ensino do Salmo 37 seja aplicado ao nosso coração, a fim de descansarmos e esperarmos no Senhor.

Graça e tão somente, a graça de Deus em nós

 

1Coríntios 15.10

 

 

A palavra “graça”, bíblica e teologicamente falando, significa, “favor imerecido”. Deus por meio de sua graça, salva pecadores que nada mereciam de suas mãos. Se é por graça, logo, já não é por obras (Rm 11.16). É claro que não somente a salvação que recebemos das bondosas mãos do Senhor, mas o que somos e todas as coisas que temos, são frutos da graça de Deus em nós. “Eu mereço”, é claro que não, pois, não merecemos nada.

Em 1Coríntios 15.10, Paulo nos dá um testemunho muito importante, quando o assunto é “graça”. O apóstolo Paulo reconhece que tudo o que era, devia à graça de Deus atuando nele. Apesar de ter sido um perseguidor da Igreja do Senhor Jesus Cristo, e, portanto, imerecedor de qualquer benefício, o Senhor Jesus, não somente o alcançou por sua graça, mas também o transformou em apóstolo e fez com que seu ministério fosse abençoador para a Igreja Primitiva.  É claro que Paulo reconhece seu esforço, para ter se tornado no que era, pois ele diz: “e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã, antes, trabalhei muito mais do que todos eles”. No entanto, reconhece que seu esforço não lhe serviria de qualquer proveito, e ele não teria qualquer sucesso, se a graça de Deus não atuasse por seu intermédio: “todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.

Somos presunçosos e ingratos, quando olhamos para nós mesmos e achamos que o que somos e temos, foi conquistado com o nosso suor. Embora, a Palavra de Deus não dispense o nosso esforço e suor, devemos sempre reconhecer, que se não fosse a graça do Senhor, nada seríamos ou teríamos.

Graça e tão somente, a graça de Deus em nós!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Reflexões de um Pastor/mecânico sobre as “subidas”, digo, provações da vida - 1Pedro 1.6-7

 




Perto de minha casa há uma subida muito forte. Sempre digo que ali é um ó timo lugar para se testar um veículo pesado, como um caminhão ou ônibus. De vez em quando, o trânsito de uma das faixas é interrompido, por um desses veículos, que apresenta problema mecânico. Tudo ia muito bem, ou aparentemente bem, mas, ao começar a subida os  defeitos mecânicos se revelam. É claro que tal veículo já estava dando algum sinal de problema. Talvez a manutenção estivesse atrasada ou alguma peça mecânica já tivesse que ter sido trocada. Só passam no teste daquela subida, os veículos que estão em dia – mecanicamente falando.

Na vida cristã ocorre algo parecido. Tudo parece estar bem, enquanto não pegamos uma “subida”. Me refiro aqui, às provações e circunstâncias difíceis. Esteja certo que não foi por acidente que você teve que pegar aquela “subida”. Deus ordena cada uma das lutas em nossa vida, a fim de provar-nos, testar a nossa fé e criar em nós resistência. É claro que as vezes, não conseguimos “subir”, pois, desanimamos, nos sentimos fracos, incrédulos. As “luzes do painel” sempre indicam algum problema. Em tal situação, precisamos examinar “o sistema de transmissão” de nosso coração. Em quem ou que temos colocado o nosso coração? Precisamos executar a “manutenção”. Precisamos “trocar os filtros de combustível” (oração). As vezes, só lembramos de orar quando os problemas aparecem. Precisamos adicionar “aditivo no líquido do radiador”, adicionar “aditivo de combustível”, ou seja, quero dizer que precisamos da Palavra de Deus (leitura e pregação, ouvir e praticar), pois, é a Palavra que nos dará “potência”, para “subir” e enfrentar as piores “subidas”, sem que o “motor aqueça”. Precisamos conferir o “aperto” dos “parafusos do cabeçote” a fim de sanar “vazamentos de óleo” ou “vazamentos de compressão”. Quero dizer que sua comunhão com os irmãos deve estar em dia. Você não pode achar que terá força, sem a vida de comunhão com os irmãos na igreja, fortalecida pela participação nos sacramentos. Deus ordenou os meios de graça – oração, pregação da Palavra e sacramentos – a fim de que você encontre “potência” (graça), para suportar as “subidas”.

Quando vejo algum veículo parado na subida perto de casa, como mecânico, logo já penso em alguns problemas que podem ter ocorrido. Se fosse chamado (não exerço mais a profissão) para verificar o problema, começaria logo de cara a fazer algumas perguntas: Faltou combustível? Ferveu o radiador? Faltou óleo? Uma olhada rápida e verificação de itens básicos, poderiam revelar o problema. Assim também é na vida cristã. Quando vejo algum cristão “parado na subida”, descrente ou desanimado na fé diante de alguma provação, como Pastor, posso pensar em algumas perguntas: Tem feito uso dos meios de graça (Oração, Palavra e Sacramentos)? Como está o relacionamento com a igreja (comunhão com os irmãos)?

Na vida sempre teremos “subidas”, ou seja, sempre passaremos por provações. Se a “manutenção espiritual” de sua vida estiver em dia, certamente você terá “potência”, para transpor na dependência de Deus, cada “subida” e estar pronto para outras “subidas”. É para isso que servem as “subidas”, as provações, ou seja, servem para testar a nossa fé e torná-la mais resistente. E assim que Deus trabalha em nós. A “manutenção” em dia, não elimina as “subidas”, mas, o ajudará a enfrentá-las.

 


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Judas Iscariotes e os governantes populistas

 



Em João 12, enquanto Jesus se preparava para a sua morte, Maria, sua discípula, “tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos” (v.3). Judas Iscariotes, o traidor, logo interveio de uma forma muito “piedosa”: “Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?” (v.5). É claro que o interesse de Judas pelos pobres não era legítimo. Ele estava preocupado com o seu próprio bem-estar. Sua preocupação era que a bolsa estivesse cheia e ele pudesse subtrair dela alguma moeda.

Não se engane, pois, nem sempre aquele que diz ter interesse em abençoar os pobres, tem em vista exatamente isto. Como podemos ver, até mesmo entre os discípulos de Jesus havia aquele que usava desse expediente, com o fim de engordar o próprio ventre.

Governantes populistas sempre levantam a bandeira de ajuda aos necessitados, mas, não o fazem com interesse legítimo, sincero. Ao invés de proporem planos de governo que efetivamente contribuam para o progresso do país e consequentemente tirem pessoas da pobreza, propõem ao invés, aumentar os pacotes de ajuda aos necessitados, perpetuando a pobreza e a dependência do estado. No entanto, é claro que fazem isto, não por terem um interesse legítimo ou sincero, mas porque estão de olho em sua popularidade e pensando em se perpetuar no poder. Em outras palavras, estão pensando na reeleição.

Como pode um país ser governado de forma minimamente justa, se seus governantes governam com o fim de se perpetuar no poder? Como pode um país deixar no passado as suas mazelas, se os seus governantes, só pensam neles mesmos e governam para si mesmos?  Tal como Judas Iscariotes, tais governantes, não podem ser louvados por suas “medidas de combate à pobreza”, antes, devem ser denunciados como traidores egoístas.