terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A parábola do Bom Pastor – João 10.1-18

A parábola do Bom Pastor é contada apenas por João. Ao que parece, conforme a sequência da passagem anterior, ela foi contada logo em seguida a expulsão do homem curado da cegueira pelos fariseus. Nesta parábola, Jesus se apresenta como o bom pastor em contraste com os falsos pastores, que no contexto se aplica aos fariseus. Estes haviam expulsado o homem que havia sido curado da cegueira (uma verdadeira ovelha), mas, Jesus sendo o bom pastor foi ao seu encontro e o resgatou. As pessoas que ouviram esta palavra eram as mesmas de 9.35-41.
Nesta parábola, Jesus se utiliza de algumas figuras para ilustrar seu ensinamento, sendo que a principal delas é a figura do bom pastor (v. 10, 11, 14), que se aplica a Cristo Jesus. As outras figuras dividem-se em duas listas. Na primeira lista: a porta (o próprio Jesus, v. 6 e 7); o aprisco (Israel, implícito no v. 16); as ovelhas (as pessoas por quem Cristo morreu; os que são destinados à salvação; os que ouvem a voz de Jesus e o seguem – v. 10, 4, 9, 11, 14, 28); rebanho (a congregação total dos salvos, v. 16). Na segunda lista: ladrões, salteadores, estranhos e mercenários (os inimigos de Jesus, os fariseus).
Podemos sumarizar o ensino de Jesus em três pontos principais:

A. O Bom Pastor: o Amigo das Ovelhas.
Todas as qualidades que um pastor de ovelhas possa ter são apresentadas com perfeição em referência a Cristo Jesus. Sejam quais forem as qualidades que possa reunir um pastor terreno, fazem dele apenas um pálido reflexo do grandioso, magnífico e maravilhoso Bom Pastor. Jesus é o nosso Supremo Pastor. Aqueles que exercem o ministério pastoral podem mirar-se no exemplo de Cristos e aprender com ele como cuidar do rebanho, a Igreja. Não só isso, mas as ovelhas, através de tal modelo podem reconhecer aqueles, que mesmo que imperfeitos, são verdadeiros pastores.
Jesus se apresenta como o bom pastor que nesta posição:
1. Entra pela porta e é bem recebido pelo porteiro (10.3);
2. Chama as ovelhas pelo nome (10.3); as conhece intimamente (10.14, 15; cf. 10.27, 28);
3. As leva para fora do aprisco e as conduz aos pastos verdejantes (10.3).
4. Vai adiante delas, para conduzi-las em segurança (10.4).
5. É reconhecido e seguido pelas ovelhas (“elas conhecem a sua voz”) (10.3, 4).
6. Dá acesso a todas as bênçãos (10.7-9); é “a porta”.
7. Dá vida em abundância (10.10; cf. 10.27, 28).
8. Dá a vida pelas ovelhas (10.11, 14).
9. Guia sua ovelhas (cf. 10.4), reúne também outras ovelhas, para que elas formem um só rebanho com um só pastor (10.16).
10. É amado pelo Pai (10.17).

B. Os inimigos das ovelhas: Ladrões e Salteadores, Estranhos e Mercenários
Os inimigos das ovelhas são ladrões e saltadores, pois não são donos das ovelhas, mas tentam subtraí-las de seu verdadeiro dono e aprisco. São estranhos, pois não são conhecidos das ovelhas. São mercenários, pois, tentam apenas obter delas vantagem e lucro, e quando as ovelhas estão em dificuldades as abandonam.
Conforme o contexto, tais inimigos se referem aos fariseus, bem como a todos os líderes religiosos judaicos, e nos dias atuais, a todo e qualquer líder falso. Estes tentavam de todas as formas, ganhar os seguidores de Jesus através de seus ensinamentos falsos, baseados numa interpretação legalista e limitada da lei de Deus. Eram como ladrões, salteadores, que não entravam pela porta, mas pulavam os muros, ou seja, seus ensinos não tinham a Cristo e sua obra como fundamentos.

C. As Ovelhas
Estas têm as seguintes características:
1. Ouvem a voz do pastor, porém não dão atenção à voz de estranhos (10.3-5).
2. Seguem o pastor, porém fogem de estranhos (10.4, 5).
3. Entram pela porta (verdadeira fé em Jesus e sua justiça), são salvas entram e saem e encontram pastagem (10.9). Elas obtêm vida em abundância (10.11).
4. Não pertencem ao mesmo aprisco, porém se tornarão um só rebanho, com um só pastor, Jesus (10.16).

As características acima demonstram uma dependência absoluta das ovelhas do pastor. As ovelhas dependem do pastor, para suprir suas necessidades, para terem direção e proteção. O pastor supre cada uma de suas necessidades e elas põem nele toda a sua confiança. 

Parábola do fariseu e o publicano: o jovem rico e Zaqueu, o publicano – Lucas 18.9-14; Marcos 10.17-31; Lucas 19.1-10

A parábola do fariseu e do publicano é registrada apenas por Lucas. Conforme Lucas esta parábola é contada no contexto em que Jesus tem encontro com o jovem rico (Lc 18.18). Os evangelistas Mateus e Marcos, também registram de forma semelhante a Lucas, sobre este encontro de Jesus. Lucas ainda, logo depois de registrar sobre este encontro, ao organizar seu material e apresenta-lo a seus leitores, relata sobre o encontro que Jesus tem com Zaqueu, o publicano. Ao que parece, Lucas diferente dos outros evangelistas, tem o cuidado de não omitir esses encontros em paralelo com o ensino da parábola. Pode-se perceber uma estreita ligação entre tais encontros e o ensino da parábola.

A. O fariseu e o jovem rico
Jesus propôs essa parábola, para demonstrar que ninguém pode se aproximar de Deus, através de méritos pessoais. A parábola é dirigida àqueles que “confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (Lc 18.9). O fariseu da parábola era alguém que confiava em seus méritos pessoais, achando que isso pudesse garantir sua aceitação diante de Deus. Enganava-se, pois, ninguém pode se apresentar diante de Deus confiando senão no favor gracioso de Deus. Por isso, ele voltou para sua casa sem ser justificado, pois aquele que se exalta será humilhado.
O jovem rico, age como um legítimo fariseu. Ele se aproxima de Jesus, com o fim de ser por este exaltado. Pergunta como faria para herdar por si mesmo a vida eterna. Tendo Jesus respondido que ele precisava praticar os mandamentos, logo destaca que praticava todos os mandamentos desde a sua juventude. Em outras palavras, considerava-se merecedor da salvação. Jesus ao demonstrar que tal homem quebrava os mandamentos, por não poder se separar das riquezas que possuía, amando-as mais do que a Deus e ao próximo, demonstrou quão impossível é para alguém receber a vida eterna, com base em seus próprios méritos. Na verdade, ninguém pode merecer a salvação. Somos imperfeitos e falhos. Somos incapazes de merecer o favor de Deus. Por isso, a impossibilidade de alguém entrar no reino de Deus, senão confiando em sua graça (Lc 18.24-30).

B. O publicano e Zaqueu
O publicano a semelhança do fariseu, foi ao templo também com o propósito de orar. O publicano diferente do fariseu reconhece sua condição pecaminosa. Sentindo-se humilhado por seu estado pecaminoso, evita se aproximar do templo, e nem ao menos levantava a cabeça. Cabisbaixo, batia no peito, em autoacusação. Mas, orava: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador” (Lc 18.13). Ele sabia que não possuía méritos pessoais para alcançar o favor de Deus, mas confiava na graça divina, para ser aceito por Deus. Por sua humilde petição e atitude foi justificado, porque todo o que se humilha será exaltado (Lc 18.14).

Zaqueu (publicano) agiu como o publicano da parábola. Diante do Filho de Deus,  reconhece suas culpas, resolvendo indenizar aqueles a quem havia defraudado e doar parte da sua riqueza aos pobres. Zaqueu foi salvo, justificado. Assim como Zaqueu, todo pecador que humildemente se aproxima de Deus, confiando em sua graça, recebe dele a salvação oferecida por meio dos méritos de Cristo.

Parábolas da ovelha, moeda e filho perdido – Lucas 15.1-32; Mateus 18.10-14

A parábola da ovelha perdida é contada por Mateus e Lucas, enquanto que as parábolas da moeda e do filho perdido ou pródigo são contadas apenas por Lucas. O contexto em que Mateus registra a parábola da ovelha perdida é diferente do contexto em que Lucas registra tal parábola e as demais. Nada impede que Jesus tenha contado a mesma parábola em ocasiões diferentes. No entanto, as circunstâncias em que registram tais parábolas são semelhantes.
Em Mateus, Jesus conta a parábola da ovelha perdida para ensinar seus discípulos a dispensarem atenção e cuidado amoroso para com todos os pecadores, que são chamados de pequeninos, sendo comparados a crianças. Jesus diz: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos” (Mt 18.10). Em Lucas as parábolas da ovelha, como da moeda perdida e do filho perdido, são contadas depois da atitude intolerante e hipócrita dos fariseus e escribas. Estes criticavam Jesus, por ele falar e comer com publicanos e pecadores. Portanto, em ambos os contextos, Jesus condena o desprezo para com os pecadores, encorajando seus discípulos a amá-los.
As três parábolas apresentam um tema central. Todas ilustram como o Pai Celeste ama pecadores perdidos e vai à procura deles. Assim, como o pastor vai à procura da ovelha perdida, a mulher da moeda e o pai recebe com alegria o filho que se perdera, assim também Deus o Pai, através de Cristo, vai a procura dos perdidos. É para isso que Cristo veio, ou seja, “salvar o que estava perdido”, e assim, não é da vontade do “Pai celeste, que pereça um só destes pequeninos” (Mt 18.11, 14, compare com 1Tm 2.1-6). Jesus não veio salvar pessoas espiritualmente saudáveis e sim pecadores que precisam de salvação. Os fariseus e os líderes religiosos se consideravam saudáveis, no entanto, eram os piores dos pecadores, pois não reconheciam a situação em que se encontravam. Se nas parábolas, quando o que estava perdido é encontrado proporciona alegria para quem o buscava, alegria maior há no céu por causa de um pecador que se converte. Portanto, o que causa prazer e satisfação para Deus é salvar pecadores perdidos. Esta lição aprendida, produz numa igreja local, um olhar favorável para com os pecadores, despertando-a para a tarefa da evangelização. 

A missão dos setenta: um paralelo com a missão da igreja - Lucas 10.1-20

Depois do encontro que Jesus teve com três supostos seguidores, ele designou setenta de seus discípulos para que fossem adiante dele, nas cidades que ele estava para visitar. Lucas é o único dos evangelistas que registra sobre essa missão, mas percebemos uma semelhança entre as instruções dadas aos setenta, com as instruções dadas anteriormente aos doze (9.1-6; Mt 10.5-15; Mc 6.7-13). Uma aplicação possível desta passagem é traçar um paralelo entre a missão dos setenta com a missão que Cristo deu a sua Igreja em todos os tempos.
O número de setenta discípulos pode ser simbólico. Em Gênesis 10 há uma lista de setenta nações originadas dos filhos de Noé. Portanto, setenta pode representar o mundo todo, composto de diversas nações. Jesus enviou setenta discípulos para que fossem a todas as cidades, para onde ele iria depois.
Jesus diz que “a seara” é grande, mas os trabalhadores são poucos, razão pela qual, seus discípulos deveriam rogar ao Senhor da seara para que mandasse mais trabalhadores. Portanto, essa missão seria difícil e trabalhosa, mas deveria ser realizada na dependência de Deus. Para demonstrar mais ainda a dificuldade, Jesus diz que eles estavam sendo enviados como cordeiros para o meio de lobos. Portanto, o ambiente em que a missão seria realizada, era hostil e perigoso.
Os discípulos deveriam ir de cidade em cidade e de casa em casa. Ao serem bem recebidos, deveriam permanecer e anunciar a mensagem do Reino: “A vós outros está próximo o reino de Deus” (v.9).
A missão de anunciar a Cristo de casa em casa, de cidade em cidade e em todo o mundo, permanece como uma missão para a Igreja em todos os tempos. Trata-se de uma tarefa difícil, que conta com escassos trabalhadores e que deve ser realizada sempre com oração (At. 1.8; Mt 28.18-20). Hoje, assim como foi dito por jesus a seus discípulos, nem sempre a mensagem será bem recebida pelos ouvintes. Alguns irão aceitar e outros rejeitar a mensagem do Evangelho da Salvação em Cristo.

A Igreja de Cristo hoje vive em tempos diferentes, no que diz respeito aos recursos tecnológicos. No entanto, deve cuidar para não ser dominada por tais avanços a ponto de comprometer a sua missão. A Igreja corre o risco de ficar dependente dos recursos, deixando de enfatizar sobre o dever que cada crente tem de testemunhar de Cristo, em todos os lugares e em todo tempo. Deve sim fazer uso dos recursos que lhe estão disponíveis, mas, não esquecer que para realizar sua missão, precisa apenas estar comprometida com ela e simplesmente anunciar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Implicações Práticas da Encarnação de Cristo - João 1.14

               João inicia seu Evangelho falando acerca da encarnação do Verbo de Deus. Ele identifica o Verbo de Deus, a Palavra de Deus que esteve presente na criação com Cristo Jesus. Ele procura combater uma heresia que surgira no seu tempo, conhecida como docetismo, que ensinava que o Cristo tinha apenas aparência de homem. Tal heresia ensinava, que o Cristo não era homem de fato.
João começa demonstrando que aquele que esteve entre eles se fez homem. Em sua primeira epístola, João demonstra que o Verbo da Vida foi visto, apalpado, portanto, deixando claro ser ele de fato homem de carne e osso. Ele está afirmando que o Verbo de Deus, Deus mesmo, se tornou um de nós. Ele assumiu a natureza humana tornando-se um como os homens, sujeitando-se à todas as debilidades a que estamos sujeitos, porém sem pecado. Cristo sentiu fome, sede, sono, e foi tentado a nossa semelhança (Mt 4.1-11).
Cristo se tornou homem, para que pudesse sofrer no lugar de homens. O autor de Hebreus vai dar ênfase a essa doutrina da encarnação, demonstrando esta identificação com a humanidade, assumida por Cristo, por causa da encarnação. Ver Hebreus 2.14-18; 4.15. Como decorrência desta doutrina, o autor de Hebreus nos encoraja a confiar em Cristo Jesus. A conclusão é a seguinte: se ele sofreu como nós, portanto, ele pode nos socorrer.
João também afirma, que Cristo estabeleceu morada aqui entre nós. No deserto, no tabernáculo, Deus habitava com seu povo, assim também, e de forma mais plena Cristo veio “tabernacular” entre nós, ou seja, fazer residência.
Na nossa versão a frase “cheio de graça e de verdade” é vinculada ao Verbo. No entanto, há evidências que no original grego tal frase possa ser vinculada a glória de Deus. Moisés quando pediu para ver a glória de Deus, recebeu a seguinte resposta: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Ex 33.19).
Desta forma, a glória de Deus pode ser vista em sua bondade e verdade. Isto é importante para nós, numa época em que as pessoas desejam ver a glória de Deus. A glória de Deus pode ser vista no fato dele manifestá-la em seu filho por meio de sua bondade e verdade. Moisés viu a glória de Deus e clamou: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Ex 34.6). A glória que Moisés viu se revelou de forma mais plena na pessoa de Cristo Jesus, o Verbo de Deus. Esta glória pode ser vista por nós na misericórdia e bondade que nos têm sido manifestadas na salvação que nos chegou. Temos visto a glória de Deus revelada em Cristo Jesus e a temos conhecido, por meio de seus feitos salvíficos.
Que conforto para nós saber que temos um salvador, o Deus encarnado, que se compadece de nós, pois é um igual a nós. Que sofreu o que sofremos e pode nos socorrer. Que conforto é saber que Deus veio fazer morada conosco e que hoje habita em nós pelo seu Espírito. Que maravilha poder contemplar a glória de Deus por meio de sua bondade e verdade.

Pr. Valdemar A. S. Filho

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Deus Reina


“... e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado...” (Ap 4.2)



O livro do Apocalipse foi dado a Igreja do primeiro século, que, enfrentava grande perseguição, sob o governo do Império Romano. Naquela ocasião, servir a Cristo, podia resultar em martírio. Foi justamente nesse contexto, de grande angústia, de grande tribulação, que João, o apóstolo amado, recebeu do Senhor Jesus a mensagem desse livro, para servir de conforto e encorajamento para tais crentes.

No capítulo 4, João tem a visão do trono e sentado nele está Deus Pai. Todos os acontecimentos descritos a partir de então, são governados, dirigidos, colocados em execução pelas ordens emanadas dAquele que se encontra assentado no trono. O Cordeiro, Cristo Jesus, nessa visão assume um papel central, pois, somente Ele foi achado digno de abrir o livro selado, ou seja, somente Ele poderia colocar em execução o plano de Deus para a história da humanidade (5.1-14).

Essa visão, revelada aos crentes daquela época – através do simbolismo do trono – de que Deus é o Todo-poderoso, o governante Supremo da história e dos acontecimentos, certamente produziu em seus corações, uma firme confiança, encorajando-os a enfrentar as aflições, as angústias daqueles tempos. Que conforto para eles era saber que tudo o que estava acontecendo se encontrava debaixo do governo de Deus. Que conforto era saber que os inimigos da Igreja e de Cristo, não teriam êxito em suas perseguições, pois, embora os crentes pudessem ser levados até mesmo a morte, estariam seguros com o Senhor e receberiam a coroa da vida (2.10, 11). Que conforto era saber, que muito embora a injustiça pudesse parecer reinar, um dia o Senhor em reposta as orações dos que haviam sido mortos por causa da palavra, iria punir todos aqueles que causaram e causam sofrimento a sua Igreja (6.9-17).

Certamente esta mensagem, deve servir-nos também de encorajamento, pois, como Igreja de Cristo, também enfrentamos angústias, tribulações, perseguições, pois vivemos em um mundo que está em oposição a Deus e a seu Filho.

Que conforto saber que nosso Deus reina. Devemos ser dominados por uma firme confiança em Deus, pois, tudo o que acontece neste mundo está debaixo de sua autoridade. Nas angústias, tribulações e sofrimentos neste mundo, os crentes em Cristo, podem descansar, certos do cuidado e da direção de Deus.

Deus seja louvado!

Dinheiro é uma questão espiritual

“Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males [...].” (1Tm 6.10a)

          Pode parecer estranho para alguns o título desta pastoral, contudo, se analisarmos bem a questão levantada, concluiremos que de fato, “Dinheiro é Uma Questão Espiritual”. Os Guinness em seu livro “O Chamado” (p. 142), editado pela Cultura Cristã, trata sobre esse assunto e faz algumas afirmações importantes conforme se segue: “No centro do significado do dinheiro estão numerosas perguntas, tais como: ‘Por que há um problema?’. É significativo que o domínio do dinheiro na sociedade moderna coincida com o desaparecimento do pensamento moderno sobre a questão da avareza [...] Através da história o problema mais universalmente reconhecido do dinheiro era que sua procura é insaciável. Enquanto procuramos dinheiro e possessões, notam os observadores, a busca se torna em desejo jamais satisfeito que alimenta a avareza – descrita na Bíblia como a vaidade de ‘correr atrás do vento’, e pelos modernos como um vício. A própria palavra hebraica para dinheiro (kesef) vem de um verbo que significa ‘desejar’ ou ‘almejar alguma coisa’ [...] Tradicionalmente, tem sido descrito melhor como uma forma de sede espiritual que nunca pode se saciar. Essa incapacidade toca em duas áreas: obter o que não temos e agarra-lo sem abrir mão do que temos. [...] a insaciabilidade sempre foi vista como sinal de outras necessidades – poder, proteção, aprovação, e assim em diante. [...] a insaciabilidade é muitas vezes ligada ao ser consumido. Os indivíduos e as sociedades que se dedicam ao dinheiro logo são devorados por ele”.
O que Os Guinness diz sobre a questão espiritual do dinheiro, ou seja, sobre o perigo do pecado da avareza, não se trata de uma constatação particular sua, visto que, trata-se de algo tantas vezes denunciado nas Escrituras (Mt 6.19-21, 24; 1Tm 6.10). A Bíblia fala, conforme os textos citados – e conforme outros exemplos como do homem rico (12.13-21), do jovem rico (Lc 18.18-30), de Judas Iscariotes (Lc 22.3-6), Ananias e Safira (At 5.1-11) – sobre o perigo do amor ao dinheiro, sobre a vaidade ligada as possessões, sobre o perigo de nos tornarmos materialistas, consumistas e tantos “istas”, que afogam a nossa sociedade e sufocam o amor. Os crentes em Cristo Jesus, devem ter um relacionamento responsável com o dinheiro. O dinheiro em si não é mau, contudo, quando mal administrado e investido em coisas supérfluas, ou não investido da forma como Deus requer, se torna um problema que pode levar a ruína espiritual.
               Os Guiness ainda diz algo interessante: “Em nossos dias dizem que seguindo o colapso do totalitarismo soviético, o maior perigo ocidental é o ‘totalitarismo do mercado’ ou ‘imperialismo econômico’. ‘No que é que o economista economiza?’ pergunta-se. A resposta é ‘amor’. Num sistema de mercado que opera estritamente sobre lucros e perdas, uma sociedade passa a viver com menos amor que sob qualquer outro sistema. A sociedade [...] economiza no amor”.
Uma maneira de sabermos como temos lidado com o dinheiro é verificamos no que temos investido nossa renda, se em tais investimentos tem sobrado espaço para o amor, ou se somos controlados pelo desejo insaciável de ter, possuir. A fidelidade na contribuição, por meio de dízimos e ofertas, e outras formas de contribuição, trata-se de uma forma de regularmos nosso apego ao dinheiro e não economizarmos no amor. Geralmente, pessoas displicentes em suas contribuições, são aquelas que apresentam algum problema com o dinheiro e ou algum mal decorrente de seu mau uso.

Que Deus nos ajude a lidarmos de forma adequada com o dinheiro, para que não nos tornemos avarentos, evitando os perigos espirituais relacionados a seu mal-uso.