segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fazendo uma Faxina em nosso Coração

A maioria de nós tem o hábito de acumular em casa, objetos quebrados, papéis velhos, roupas usadas e uma série de coisas que deixamos de usar e que não conseguimos nos desfazer rapidamente. Alguns têm até mesmo uma estante ou um canto da casa onde acumula tais coisas. De vez em quando, tomamos coragem e fazemos uma limpeza geral e damos fim a todas aquelas tralhas. Quando assim agimos, melhoramos o ambiente, desocupamos espaço para ser ocupado por algo mais útil e necessário.
Em nosso viver no que diz respeito aos nossos sentimentos, relacionamentos, parece que acontece algo semelhante ao que disse acima. Os conflitos e dificuldades que surgem nas diversas esferas de nosso relacionamento, seja com os nossos parentes, amigos ou com nossos irmãos na fé, quando não resolvidos, geram ressentimentos, mágoas, ausência de perdão, tristezas que com o passar do tempo, são acumulados e guardados no coração. Assim, fazemos de nosso coração “aquele cantinho”, semelhante àquele que temos em nossa casa, onde acumulamos as coisas inúteis. É por esse motivo que existem pessoas amarguradas, que volta e meia estão se reportando a conflitos e ressentimentos do passado.
A “limpeza” desse “cantinho”, se faz necessária. Precisamos acabar e por um fim a tudo aquilo que nos impede de ter um relacionamento sincero, verdadeiro, amoroso seja com quem for ou com quem tivemos alguma dificuldade.
Não foi à toa que Jesus nos ensinou a procurar aquele que pecou contra nós (Mt 18.15). Quando fazemos o que Cristo diz, não damos chance para que a mágoa ou ressentimento se acumule, pois, confrontando fraternalmente o irmão preparamos o terreno para que o perdão seja cultivado (Mt 18.21, 22). Há pessoas que evitam qualquer argüição e por isso nunca têm suas pendências resolvidas.
O que Paulo diz em Efésios 4.31-32 e 5.1-2, é importante também. Se o perdão fosse uma prática vivida sempre por todos e se imitar a Deus fosse um alvo, certamente, não haveria tantas coisas inúteis acumuladas na vida de muitos. Por certo, não haveria tantos irmãos que não se falam. Por certo, o amor, a paz entre os irmãos, seriam virtudes cada vez mais reinantes.
Tudo o que foi dito até aqui, acima de tudo, deve ser uma atitude assumida no convívio familiar. Hoje em dia, a razão de muitas famílias não desfrutarem de um convívio harmonioso e a razão de tantos casamentos desfeitos, tem o mesmo problema como raiz, ou seja, o acúmulo de ressentimentos e tantas outras coisas inúteis que servem apenas para ocupar lugar em nosso coração. A limpeza proposta acima deve ser uma prática assumida no relacionamento familiar. Quantas vezes em ocasião em que há novo desentendimento, por entre cônjuges, aquela mágoa guardada, resultado de um desentendimento ocorrido há tanto tempo no passado, é trazida à tona, servindo de vantagem par um dos cônjuges na disputa. O que ocorre, é semelhante como se pegássemos aquele objeto que não tem conserto, guardado no fundo do armário e o mudássemos de lugar ou o deixássemos no meio do caminho estorvando a passagem. O ideal é que tal objeto pudesse ter um outro destino, ou seja, o lixo. Da mesma forma, precisamos deitar fora aquela mágoa, ou aquele ressentimento ou tantos outros sentimentos que estão estorvando e ocupando o lugar em nosso coração, nos impedindo de ter um relacionamento familiar saudável, prazeroso, e que serve apenas para causar mais problemas. Para isso, precisamos exercitar o perdão, a conversa franca, instrumentos indispensáveis para a tal “faxina” proposta.
Que Deus nos abençoe, nos auxiliando a desenvolver um relacionamento saudável em todos os âmbitos e principalmente no familiar.

O Caráter de Jó e sua Atitude como Pai

Jó 1.1-5
Introdução
No livro, “Homens Fortes”, da Editora Fiel, o autor fala sobre a necessidade dos homens assumirem sua liderança espiritual no lar. O livro é uma tentativa de despertar os homens para a sua responsabilidade.
No início do livro para demonstrar a falha da grande maioria em exercer a liderança espiritual masculina, ele usa a seguinte ilustração, contando uma história: Numa igreja pediu-se para formar duas filas. Numa havia um placa pedindo que se alinhassem aqueles que não se consideravam lideres espirituais. Nesta a grande maioria se colocou em pé. Na outra aqueles que se consideravam líderes de seus lares. Nesta apenas um homem se posicionou. Perguntado para ele porque havia se colocado naquela fila, ele respondeu: Não sei não, minha mulher disse para que eu ficasse aqui e aqui estou.
Esta ilustração serve para demonstrar o grande problema da liderança espiritual, ou seja, de homens que não lideram espiritualmente seus lares. Consequentemente, tal situação afeta a igreja e a sociedade. As mulheres tem assumido uma função que não é de competência delas, isto porque muitos maridos não cumprem com seu papel e lideram mal. A questão não é se somos lideres ou não, e sim se somos bons líderes ou maus líderes. Não se trata de uma opção, ou seja, ser ou não ser líder, mas se lideramos bem ou lideramos mal.
Creio que o exemplo de Jó serve-nos de ajuda para aprendermos como liderar e sermos despertados quando ao dever de exercermos efetivamente nossa liderança espiritual.
Tenho me convencido da necessidade de preparamos os homens da igreja para serem bons líderes na família, como esposos e pais. Se quisermos na igreja uma liderança consistente, precisamos preparar pais e maridos eficientes em seus papéis. Se quisermos influenciar a sociedade, precisamos de líderes que se destaquem na família e na igreja. Família forte, igreja forte e sociedade influenciada.
Vejamos o que podemos aprender com Jó:
Sabemos pouco acerca de Jó. Tudo indica que o autor desse livro fosse israelita, pois se refere a Deus como Javé, o Deus da Aliança.
Devido ao uso do hebraico clássico, é provável que o livro de Jô tenha sido escrito por volta de 1500 a.C.
A descoberta de fragmentos do livro de Jó entre os pergaminhos do Mar Morto demonstra que Jó tenha sido escrito em tal época e não num período mais recente como o século II a.C., como querem alguns.
O texto que lemos pode ser comparado a uma carta de apresentação. O autor do livro, antes de passar a falar do sofrimento de Jó, faz uma apresentação de quem ele era no que diz respeito a seu caráter e suas posses e no que diz respeito à forma como lidava com sua família.
Estas informações iniciais sobre a vida e caráter de Jó, servem para que tomemos este servo de Deus como modelo a seguir, tanto no que diz respeito a nossa vida pessoal, como no que diz respeito a nossa atuação como pais e esposos.
É claro que o que temos para falar baseado na vida deste homem, não aplica apenas aos homens, pode ser aplicado a cada crente, mas, de maneira mais específica se aplica a homens, servindo-lhes de modelo de liderança familiar.


1. Aprendemos com Jó que a liderança familiar espiritual começa com o caráter santificado – 1-3.

Um líder espiritual precisa antes de mais nada cuidar de si mesmo, para que possa liderar sua família de forma adequada. A liderança espiritual começa com o desenvolvimento de um caráter reto, santo. Ensinamos nossos filhos com o nosso caráter. Um homem que se preocupa com o seu caráter espiritual irá saber como conduzir-se diante de sua esposa e filhos.
Vejam o que é dito de Jó, de seu caráter como crente. São usados quatro qualificativo para ele:
- Íntegro – Pessoa moral e eticamente pura
- Reto – Honesto, correto, direito.
- Temente a Deus - Obediente
- E que se desviava do mal – que evitava o mal, se afastava do que era desagradável, que era contrário a lei de Deus.
Estas eram qualidades por meio das quais Jó era conhecido por Deus. Vejam o verso 1.8; 2.3. O Senhor tinha Jó diante de suas vistas como um homem reto, bom.
É claro que quando a Bíblia atribui a Jó e a outros servos do Senhor tais qualidades, contudo, isto não significa que não fossem pecadores ou que não pecassem. No entanto, Jó como servo do Senhor, seu caráter se destacava, apresentando qualidades importantes. Características essas, dos servos de Deus, fruto é claro da graça de Deus neles.
Jó era um pai, um esposo, um crente, preocupado com o seu caráter, com sua vida. Ele era conhecido por Deus e certamente por todos ao seu redor, não por algum defeito que possuía, mas, pelas qualidades que o distinguia das demais pessoas. Muitas pessoas e até mesmo crentes, às vezes são apontados na rua por alguém, sendo destacados os seus defeitos, falhas, pecados: “Olha lá, quem passa ali, é o senhor sabe tudo” ou “Olha só a dona encrenca esta chegando”. Jó era conhecido por suas qualidades.
Homem, marido e esposo, como você é conhecido pelas pessoas? O           que dizem de você na igreja? O que Deus diria acerca de seu caráter?
O texto nos mostra que Jó era abastado de bens possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de boi e quinhentas jumentas, tinha também numerosos empregados. Contudo, a despeito de tudo quanto possuía seu coração não era dominado pelas riquezas, nem corrompido o seu caráter por elas. A integridade de seu coração perante Deus pôde ser comprovada por meio de seu testemunho, após perder seus bens e filhos, por causa de calamidades que sobreveio sobre ele, como um teste, por ação de Satanás. Vejam os versos 1.20 a 22; 2.3, 10 e 42.7.
O que Deus requer de nós, não é que sejamos semelhantes a Jó, homens santos?
Em seu sermão da montanha Jesus nos diz que somos sal da terra e luz do mundo. Vejam com que objetivo devemos nos esforçar para atuar como sal e luz: Mateus 5.13-14. E Jesus diz que devemos espelhar a Deus, cf. Mt 5.48. Vejam 1 Pedro 2.11-12.
Como crentes devemos seguir o modelo de nossos irmãos do passado. Devemos ser conhecidos por nosso caráter reto, justo, piedoso, que demonstre o nosso compromisso com o Senhor.
Nós homens como servos do Senhor devemos servir de referência para a Igreja, no que se refere ao caráter irrepreensível que devemos desenvolver. Como pais e líderes espirituais, seja na família ou na Igreja e na sociedade, devemos nos portar de tal forma que as pessoas percebam em nós um caráter cristão que espelhe a Deus.
O caráter é importante para que nos revelemos como líderes espirituais qualificados. A família precisa de homens que se preocupem com seu caráter, que se esforcem por serem achados retos e íntegros. É claro que um caráter assim, se forma aos pés da Cruz de Cristo. Homens relapsos nos exercícios espirituais, descuidados dos meios de graças não terão um caráter assim.
Precisamos de famílias cujos líderes sejam retos, tementes a Deus, que se desviam do mal, para que tenhamos na igreja líderes fortes. A igreja falha quando na escolha de seus líderes negligencia isto, não procurando nos escolhidos marcas de um caráter reto, íntegro diante de Deus. Erra quando faz suas escolhas baseada em outras questões. Talvez baseando sua escolha na preferência pessoal dos que votam. Lembremo-nos das exigências para escolha de diáconos em Atos 6 e daquelas que Paulo apresenta a Timóteo em 1Timóteo 3.1-13.
Precisamos de homens fortes na família, e dentre esses homens precisamos escolher nossos líderes, pastores, presbíteros, diáconos, líderes de sociedade.
Jô era um servo de um caráter irrepreensível. Deus o reconhecia desta forma. Pensemos nisso e procuremos imita-lo.


2. Jó era um pai que liderava espiritualmente sua família, ou seja, ele era um sacerdote de seu lar – v. 4-5.

Jó serve-nos de modelo não somente no que se refere a sua vida pessoal, o cuidado que tinha com sua própria santidade, mas também, no que se refere a sua vida familiar, na maneira como lidava com sua família. Ele era um verdadeiro sacerdote de seu lar. Jó era alguém preocupado consigo mesmo e também, preocupado com sua família.
Diz o texto que seus filhos tinham o costume de juntar-se e fazer festas. Eles iam à casa uns dos outros e faziam banquetes. Ao que parece havia harmonia e união entre eles.
Jó sabia que seus filhos eram pecadores, por isso, não se descuidava de conduzi-los ao Senhor. Ao final das festas, chamava seus filhos, e os santificava. Levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles.
Jó não fazia como alguns pais fazem que não conseguem suportar qualquer reclamação que façam de seus filhos. Ele mesmo sabia que seus filhos podiam se desviar e pecar, portanto, ele mesmo tomava providências para sanar qualquer problema que pudesse surgir. Ele mesmo, antes que surgisse alguma notícia de excessos e pecados, tomava medidas para santifica-los.
Na verdade, Jó, não permitia que seus filhos se esquecessem de Deus, pois, ele sempre fazia uso dos meios de graça para ensinar a seus filhos a retidão. Diz o texto que continuamente procedia dessa forma, não descuidava de seus filhos.
Em outras palavras, seus filhos eram sempre conduzidos à Cruz de Cristo, pois, os sacrifícios representavam aquele que viria morrer por seu povo. Jó era um pai interessado no progresso espiritual de seus filhos e não descuidava disso. Ele fazia uso do princípio que tempos depois, Jesus ensinou a seus discípulos, cf. Marcos 10.13-16.
Jó não fazia como alguns pais fazem. Alguns pais acham que providenciar o sustento, o estudo para seus filhos é suficiente e se esquecem do primordial, do espiritual.
Como eu disse ele fazia uso dos meios de graça para conduzir seus filhos a Cristo. O sacrifício era um meio de graça, a intercessão, ou oração era para ele um meio de graça.
Queria em especial chamar a atenção aqui dos homens da igreja, que são maridos e pais. Geralmente o que notamos em muitas famílias, é a preocupação das mães em cuidar para que os filhos estejam espiritualmente saudáveis. São elas muitas vezes que se lembram de orar, de ler a Bíblia com os filhos, de prepara-los para ir à igreja, enquanto que muitos dos pais,  são relapsos. É claro que isso não é regra, mas já vi isso acontecer muitas vezes.
Jó revela-nos com sua atitude um princípio Bíblico muito importante e que muitas vezes passa-nos despercebido. O princípio que queremos ressaltar é que no modelo de família criado por Deus, ou seja, na família da aliança que tem como objetivo refletir o relacionamento de Deus com seu povo, o pai/marido tem a responsabilidade de liderar o seu lar, sendo ele o cabeça. Sendo dele o dever de liderar seu lar, é dele a responsabilidade de zelar pela saúde espiritual de sua família. Em outras palavras é dele a priori o dever de educar seus filhos nos caminhos do Senhor. É ele quem deve liderar a preocupação espiritual com os filhos e não a mãe/esposa. Não estou dizendo com isso que a mãe/esposa não tenha que ter preocupações nesse sentido. Ela deve ser a auxiliadora de seu marido ajudando-o na educação de seus filhos. Vejam que isso é diferente de fazer como muitas vezes acontece, quando é a mãe que se preocupa enquanto que o pai, fica na rabeira, na retaguarda e muitas vezes não esquenta muito a cabeça.
Em Colossenses 3.21 e Efésios 6.4, Paulo se dirigi aos pais, falando sobre o dever de educar os filhos no Senhor. A palavra que Paulo usa que é traduzida por “pais” não tem o sentido de pai e mãe, e sim é a palavra usada para referir-se aos pais genitores masculinos. Ele está se dirigindo aos pais/maridos, demonstrando assim, que a responsabilidade de educar os filhos no Senhor é prioritariamente dos pais, ou seja, dos genitores masculinos, ou seja, dos homens. Ele está refletindo o entendimento de que na família da aliança o homem é o cabeça do lar, tendo a responsabilidade de conduzir seu lar pelos caminhos do Senhor. Às vezes a mulher tem que assumir essa responsabilidade, quando o marido está ausente, por algum motivo, ou quando o marido não é crente. Por isso é importante que a jovem quando vai se casar procure um jovem que seja crente dedicado, para que ele sabendo dessa sua responsabilidade atue como cabeça do lar e conduza sua família nos caminhos do Senhor.
Notem que um dos requisitos daqueles que podem ser escolhidos como presbíteros é que sejam bons pais, e bons esposos, governando bem o lar, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito. Vejam 1 Timóteo 3.4.
Jó era um bom esposo e um bom pai. Era um sacerdote de seu lar. Era o líder espiritual de sua família. Ele tinha a convicção de que sobre ele a priori caia a responsabilidade espiritual de sua família. Portanto, ele zelava pela boa conduta espiritual de seus filhos.
Como maridos, pais, líderes, devemos imita-lo em sua conduta e caráter.


Conclusão

Meus irmãos, como temos sido conhecidos pelas pessoas ao nosso redor? Temos sido modelo de um caráter irrepreensível? Temos demonstrado cuidado espiritual por nossa família?
Todos nós crentes no Senhor Jesus, devemos tomar o exemplo de Jó e imita-lo, mas de maneira especial e mais específica é dever do homem liderar sua família pelo seu caráter e conduta, tendo a iniciativa de tomar as medidas para que seu lar, filhos e esposa, sejam liderados espiritualmente.
Que os homens crentes sejam líderes irrepreensíveis no caráter e na atitude de zelarem espiritualmente por suas famílias. Que sejam verdadeiros sacerdotes no lar e na igreja. Lembrem que essa tarefa foi dada a vocês. Vocês foram chamados por Deus para serem os líderes de seus lares e para que o sejam também na igreja. Se tivermos homens fortes nas famílias da igreja, teremos homens na liderança da igreja.



O COMPROMISSO

O casamento foi instituído por Deus, na criação. "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a" (Gênesis 1.27,28). "Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gênesis 2.24).
O casamento foi instituído por Deus para a felicidade do ser humano. Por intermédio dele ocorre a "propagação da raça humana por uma sucessão legítima". Mas o seu principal objetivo é o companheirismo entre os cônjuges. A procriação é uma bênção adicional. Aliás, isso deve ficar bem claro. Nicolas Berdyaev, em seu livro The Destiny of Man (O Destino do Homem), afirma "que a união conjugal com o único propósito de procriação deve ser considerada imoral".
O casamento é uma instituição divina, mas a forma como é feita a escolha dos cônjuges e a celebração da cerimónia nupcial não foi determinada na instituição. E, por isso, varia de um povo para outro, de uma época para outra. O primeiro processo de escolha de cônjuge registrado no Antigo Testamento resultou no casamento de Isaque e Rebeca. A história pode ser sintetizada assim: Abraão, já idoso, encarregou seu mais antigo servo da escolha de uma esposa para Isaque. "Tomou o servo dez camelos do seu senhor e, levando consigo de todos os bens dele, levantou-se e partiu, rumo da Mesopotâmia, para a cidade de Naor." (Gênesis 24.10). E foi parar na casa de Betuel, onde expôs o motivo da viagem, e conseguiu atrair Rebeca, com o consentimento do pai e do irmão, para dirigir-se a Canaã e ser a esposa de Isaque. "Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde; erguendo os olhos, viu, e eis que vinham camelos. Também Rebeca levantou os olhos e, vendo a Isaque, apeou do camelo, e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? É o meu senhor, respondeu. Então tomou ela o véu e se cobriu. O servo contou a Isaque todos as cousas que havia feito. Isaque conduziu-a até à tenda de Sara, mãe dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher." (Gênesis 24.63-67). Os dois nunca se tinham encontrado antes; talvez Isaque nem soubesse da existência de Rebeca. Não foi feita nenhuma cerimónia nupcial. Simplesmente foram viver juntos... Mas estavam casados, segundo os costumes da época.
Esse tipo de casamento tinha tudo para ser um grande fracasso... mas funcionava. E funcionava bem porque era protegido por um compromisso. O amor que unia os cônjuges era fruto desse compromisso.
O casamento de nossos dias é bem diferente. Os pretendentes têm amplas oportunidades de se conhecer antes da decisão final. Teoricamente suas possibilidades de fazer um bom casamento, de estabelecer uma união harmónica e duradoura são bem maiores. Mas isso não tem acontecido porque eles têm feito deste sentimento emocional subjetivo, denominado amor, a base do seu casamento. E um sentimento, sujeito a muitas vicissitudes, não pode garantir o êxito de uma instituição tão importante.
Para transformar o casamento que você tem no casamento que você quer, o ponto de partida é a conscientização de que o verdadeiro fundamento do matrimónio é o compromisso. O amor é importante, mas até ele deve estar baseado no compromisso. Pois, como disse Erich Fromm: "Amar alguém não é apenas um sentimento forte. É uma decisão, um julgamento, uma promessa".
Casamento que tem como base o amor não tem futuro. Waylon Ward escreveu: "Um dos fatores mais significativos que afetam o casamento parece ser a ideia de que o amor se tornou o fundamento sobre o qual os casais tentam construir em lugar do compromisso. A maioria dos casais tem uma compreensão do amor emocional e superficial. Eles se apaixonam se casam, deixam de amar e pedem divórcio".



NASCIMENTO, Adão Carlos. Oficina de Casamento. Governador Valadares: Apoio Pastoral, 2001, p. 7.  

Derramando Graça nos Relacionamentos Familiares

Quando meus olhos se abriram e eu consegui ver a maciez da graça de Deus, também enxerguei a aspereza da vida sem ela. A família é, geralmente, o lugar onde mais se evidencia sua presença ou a sua ausência. É no lar que os filhos percebem se estão, ou não, recebendo o amor incondicional que possibilita que seja naturais e sinceros, ou se devem aprender a ficar na defensiva, esperando sempre o momento de lutar com a rejeição e condenação recebidas, utilizando hipocrisia, hostilidade, agressão e submissão servil.

Entre o casal, a mesma percepção propicia também o tipo de reação semelhante. O amor-compromisso demonstra respeito mútuo construindo relacionamentos, ao passo em que o desrespeito os destrói. A simples proximidade física e a interdependência contínua suscitam sentimentos que podem ser de graça ou de desgraça! As realidades e as exigências da vida em comum se estendem a todas as outras facetas. Chego a afirmar que quando se está bem com o cônjuge e com os outros membros da família, torna-se muito mais fácil lidar com as outras áreas da vida. E o contrário também é verdadeiro. Quando nosso relacionamento familiar está mal em algum nível, o reflexo também se estende às outras áreas.

Que juntos possamos crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo, expressando a partir de nossas atitudes e comportamentos familiares.



“A graça do Senhor Jesus seja com vocês”

Jaime Kemp

(Extraído da Revista Lar Cristão, Janeiro/2004, pg. 6)

A família de José e a nossa Família

Uma das histórias mais belas da Bíblia – em minha opinião – é a de José e sua família. Podemos aprender bastante com tal história. Isto não pelo fato de José e sua família, ser um modelo de perfeição, e sim, pelo fato de percebermos na vida de José e seus irmãos a ação da graça de Deus.

Quando lemos o livro de Gênesis a partir do capítulo 37, percebemos que as falhas de Jacó como pai, a insubmissão de seus filhos mais velhos e a atitude antipática de José para com seus irmãos, causaram males terríveis àquela família, quase que irreparáveis, se não fosse a ação da graça de Deus. A despeito da gravidade da situação familiar provocada, Deus conforme sua vontade, fez com que todas as coisas convergissem de tal forma, que houvesse oportunidade favorável para  que o perdão fosse buscado, e a reconciliação de José com seus irmãos acontecesse. Deus agiu de tal forma, demonstrando sua soberania, fazendo com que todo o mal praticado convergisse para o bem de toda a família de José, a ponto, de serem salvos de morrerem por causa da fome que atingiu a terra de Canaã, onde eles viviam. Isto fica claro nas palavras de José a seus irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20).

“Onde abundou o pecado, superabundou a graça” de Deus (Rm 5.20). A graça de Deus é mais poderosa do que o pecado, por isso, os efeitos dela podem corrigir quaisquer conseqüências do pecado. Não há nada tão terrível no contexto familiar, que a graça de Deus não possa reparar. Se acreditarmos na ação poderosa da graça de Deus, não iremos desistir de nossa família, de nosso casamento.

Em nossa época é triste constatarmos a fragmentação da família, e mais triste ainda, é percebermos que os crentes não são exceção nisso. No contexto cristão, isto tem acontecido devido à falta de confiança e dependência da graça de Deus. Não estamos livres de problemas familiares, de desentendimentos, de mágoas. No entanto, não podemos ser incrédulos, achando que a graça de Deus não possa restaurar a nossa família, a despeito da situação nos parecer tão grave a ponto de acharmos que não há redenção para ela. Se tal confiança fosse uma realidade para todos os crentes, não teríamos, como temos visto hoje em dia, casais se separando, pois, confiando na graça de Deus esperariam por seu socorro e restauração.

Família feliz não é aquela que não passa por problemas, e sim, aquela que em meio às dificuldades, confia que a graça de Deus é poderosa para ajuda-la seja qual for à situação e trazer solução àquele problema que humanamente falando, é impossível a solução.

Que Deus abençoe as nossas famílias, e que em meio às dificuldades, confiemos na graça do Senhor!




terça-feira, 7 de junho de 2011

A ALEGRIA DE UMA FAMÍLIA CHEIA DA PALAVRA

“Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na
verdade.”
3 João 4

John MacArthur


É claro que a família, como uma instituição, está com um sério problema. Nos anos 60, a sociedade popular abertamente declarou guerra aos ideais históricos do lar e da família. A rebelião foi repentinamente canonizada como uma virtude; o divórcio foi desestigmatizado; e a posição da mãe que fica em casa começou a ser caricaturado como descuidado e servil. Desde então, a sociedade tem rápida e imprudentemente adotado os novos valores, filosofias educacionais e até mesmo regulamentos do governo que são hostis à família. A mídia popular (incluindo filmes, música, rádio, televisão, e até mesmo a mídia de notícias) tem agressivamente tentado normalizar tudo o que é aberrante e celebrar tudo o que é disfuncional na cultura moderna enquanto rebaixa a própria noção de famílias fortes e bem íntimas. A tolerância de nossa sociedade para com o aborto, a homossexualidade, pornografia e outros males apenas têm arruinado mais ainda a base moral da vida familiar.
Naturalmente, as famílias estão se desintegrando rapidamente. Esta é uma séria ameaça a toda a civilização, porque a família nuclear (consistindo de pai, mãe e filhos) é a unidade social mais básica e, portanto, o exato fundamento da própria sociedade. Destrua os laços que unem as famílias e a comunidade de forma geral se desintegrará. E isso está acontecendo diante de nossos olhos.
É claro, muitos líderes de igrejas e leigos cristãos entendem que a desintegração da família é um dos maiores desafios que a igreja enfrenta em nossa geração. Existe uma multidão de ministérios de mídia evangélica, publicadores cristãos, organizações para-eclesiásticas e programas para pais cujo propósito principal é contra-atacar as tendências culturais que ameaçam a família. Alguns esperam resolver o problema por meios políticos e legislativos. Outros pensam que a melhor maneira de influenciar a cultura é através da arte, mídia e educação. E ainda outros parecem crer num cuidadoso treinamento em técnicas de criar filhos e que as mães e pais precisam de mais métodos de disciplina, sistemas para ensinar responsabilidade aos garotos e de programas detalhados de educação dos filhos para ajudar aos pais que não têm a mínima idéia de como resolver os problemas.
Todas estas coisas são boas e úteis na medida apropriada. Mas em seu perceptivo livro, o Dr. John Barnnet relembra-nos que a melhor e mais importante maneira que os cristãos devem buscar para reagir às tendências de uma sociedade hostil à família é fazendo da Palavra de Deus o centro e o foco de sua própria vida familiar. O mais profundo e duradouro impacto que nós podemos fazer na sociedade começa com o fortalecimento de nossas próprias famílias e a única maneira duradoura e efetiva de fazermos isso é dar à Palavra de Deus seu lugar de direito no centro da família.
Afinal de contas, quando Deus esboçou Seu plano para as famílias de Israel, esta era a essência inteira de Seu projeto para a criação de filhos e a vida no lar. A Palavra de Deus era para ser central em cada aspecto da família. Ela foi dada para ser o principal assunto da instrução dos pais e da conversação familiar durante todas as ocasiões de trabalho, viagem e lazer. A Palavra de Deus seria usada até mesmo como uma jóia e seria gravada nos batentes das casas:

Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas. (Deuteronômio 6.6-9).

Edificar uma família centrada na Palavra é, portanto, a exata essência da responsabilidade que Deus mesmo tem dado aos pais, e é um dever que cada pai deve abraçar alegre e avidamente.
O Dr. Barnnet dá uma cuidadosa e completa explanação do que significa ter uma família centrada na Palavra e como os pais podem alcançar este objetivo. Ele sabe do que ele fala. Ele e sua esposa Bonnie têm praticado estes princípios durante vinte anos, formando uma família modelo com oito filhos que agora variam da adolescência a maioridade. Todos eles são fiéis a Cristo e eles conhecem e amam a Sua Palavra.
Como o título do livro sugere, formar uma família centrada na Palavra é uma alegria, não um trabalho penoso. Esta é a maneira que Deus planejou que fosse. “Herança do SENHOR são os filhos... Feliz o homem que enche deles a sua aljava” (Salmos 127.3, 5). “Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar a um sábio nele se alegrará” (Provérbios 23.24).
Para os pais que estão confundidos e frustrados pelas aparentemente complexas e freqüentemente frustrantes tarefas relacionadas à liderança de uma família, aqui está um mais do que necessário recurso que lhe ajudará a clarificar e simplificar suas prioridades como um pai. Que ele possa ser usado por Deus para produzir uma geração de pais e muitas gerações de filhos cujas vidas e famílias estão ancoradas na Palavra de Deus, a qual é a única verdade que vive e permanecer para sempre.
(Este artigo trata-se do prefácio do livro com o mesmo título, do Dr. John Barnett)

terça-feira, 24 de maio de 2011

A IMPORTÂNCIA DO MINISTÉRIO PASTORAL NO PROCESSO DE PRESERVAÇÃO E REVITALIZAÇÃO DA IGREJA: UMA EXPOSIÇÃO DE ATOS 20.17-35

Introdução
Nos últimos anos, graças ao bom Deus, temos visto surgir várias publicações, em formas de livros, artigos e revistas, enfatizando a importância do ministério pastoral. Tais publicações têm sido motivadas, devido à constatação de que o ministério pastoral segundo a Bíblia tem sofrido deformações em nossos dias. E não devemos nos enganar, quanto ao fato de pensarmos que tais publicações estejam sendo direcionadas apenas aos ministros da Palavra, demonstrando que haja algo errado com eles apenas, pois, tais publicações têm sido direcionadas também, aqueles que chamamos de presbíteros. Isto tem se dado, pelo fato de que se tem redescoberto a importância do ministério pastoral, como tendo que ser desenvolvido não apenas por aqueles que chamamos de pastores, mas tendo que ser desenvolvido na mesma proporção, por aqueles a quem chamamos de presbíteros.
O que se tem percebido é que a responsabilidade para pastorear a Igreja de Cristo, compete ao corpo de presbíteros, sendo eles divididos por duas especialidades, ou seja, a do ensino e a do governo. Em outras palavras a saúde da Igreja de Cristo depende do exercício responsável e consistente de um ministério pastoral exercido em conjunto por pastores e presbíteros.
Em outras palavras, a preservação da igreja e ou a sua revitalização quando necessária, depende do exercício responsável e consistente do ministério pastoral exercido em conjunto pelo corpo de oficiais.
Através da exposição do texto bíblico, registrado em Atos 20.17-35, irei demonstrar, que no processo de preservação e ou revitalização da igreja, o ministério pastoral exercido de forma adequada é indispensável. Através do exemplo do apóstolo Paulo, testemunhado em tal passagem, destacarei alguns aspectos importantes para o exercício do ministério pastoral.


1. A Igreja em perigo: a necessidade de um trabalho pastoral consistente e constante
A plantação da Igreja de Éfeso, se deu durante a terceira viagem missionária do apóstolo Paulo (At 18.23—21.16). Ele permaneceu na Igreja de Éfeso durante três anos (v. 31). Durante este período seu trabalho pastoral na formação dessa igreja foi realizado de forma consistente e constante. Conforme suas palavras: “[...] lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas a cada um” (v. 31). A palavra traduzida por “admoestar”, significa, instruir, advertir, ensinar. Conforme demonstrarei abaixo, seu trabalho foi desenvolvido de diversas formas, procurando cobrir todas situações e oportunidades que tinha, para ensinar tal igreja e prepara-la adequadamente, para um crescimento e desenvolvimento saudável. Paulo ensinou publicamente e de casa em casa (v. 20). Seu trabalho foi duro, e desenvolvido em meio a sofrimento e perseguição (v.19, 31).
Depois de realizar seu ministério na igreja de Éfeso, tendo que partir para Jerusalém (v. 22), convoca os presbíteros de tal igreja, para uma conversa de despedida e instrução. Ele agora faz uma retrospectiva de tudo quanto havia realizado entre eles, e chama a atenção deles, para a necessidade de pastorearem a igreja de Éfeso, e que isto fosse feito com vigilância contínua e permanente. A razão para tal vigilância está no perigo que rondava tal igreja. Paulo diz: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um” (v. 29-31).
No texto, Paulo não deixa claro se o alerta que está emitindo, era fruto de uma revelação específica que recebera, ou que tal alerta era fruto da compreensão de que a Igreja de Cristo deve estar sempre alerta, pois, é certo que sempre receberá as investidas de seu inimigo. Pode ter sido uma coisa ou outra, ou as duas. Jesus Cristo demonstrou a seus discípulos, sobre os constantes ataques de Satanás contra sua Igreja, muito embora tenha dito que nada e ninguém poderia impedir sua edificação (Mt 16.18). O Senhor disse que os últimos dias seriam marcados pelo aparecimento de falsos profetas e anticristos, que procurariam desviar a atenção de seus discípulos (Mt 24.4-5, 23-24). Paulo escrevendo a Timóteo – que se tornou por designação do apóstolo pastor da igreja de Éfeso – alertou acerca do surgimento nos últimos dias de falsos ensinos, e diz que tal afirmação vinha do Espírito Santo (1Tm 4.1-5). Talvez aqui, tenhamos a indicação de que as palavras ditas aos presbíteros da igreja de Éfeso, fossem fruto de uma revelação específica. O fato é que, tempos depois, a igreja de Éfeso foi invadida por falsos ensinos, que provavelmente estavam sendo difundidos por pessoas que estavam entre eles e pertenciam a tal igreja. Talvez até alguns deles fossem líderes da igreja. Em suas cartas a Timóteo, isto fica evidenciado (1Tm 1.3, 7, 19-20; 4.1-5; 6.3-5; 2Tm 3.1-9).
Baseado no alerta dado por Paulo à igreja de Éfeso e na base bíblica restante (que fala da Igreja de Cristo como sendo atacada por seu inimigo), pode-se dizer que nos dias atuais, se faz necessário um estado de vigilância constante, por parte da liderança das igrejas locais. Tem-se visto como que na atualidade, vários ensinos e práticas perniciosas têm sido difundidos. Nosso inimigo tem se utilizado de sutilezas para enfraquecer as igrejas, e torna-las vulneráveis a queda. Temos visto como que mais e mais, os crentes desconhecem doutrinas básicas do cristianismo, como resultado de desconhecerem a própria Bíblia. A pregação da Palavra de Deus tem sido colocada em segundo plano, dando-se lugar a ênfase no entretenimento e na satisfação dos crentes durante o culto. Prova do que estamos falando, tem-se visto mudanças importantes na forma e conteúdo dos cultos evangélicos. Uma ênfase nas emoções e em práticas não autorizadas pela Palavra de Deus. Cânticos, músicas têm sido adotados no culto, sem uma análise prévia. O critério para a recepção de tais produções é baseado no gosto e no sentimento que produz no momento do culto, e não, como deveria ser, se tal música ou cântico possui uma doutrina sólida comprovada pela Bíblia. O que está acontecendo é que as lideranças das igrejas, estão como adormecidas, deixando de exercer seu papel de cuidar, para que a Igreja de Cristo não seja contaminada e tragada por seu inimigo.
Diante do que foi exposto até aqui, se faz necessário, que os líderes cristãos, tomem consciência do perigo que ronda a Igreja de Cristo em todos os tempos. Assim, como Paulo alertou os presbíteros da igreja de Éfeso, dizendo que deveriam vigiar de forma constante, se faz necessário emitir tal alerta e convocar as lideranças das igrejas locais a uma vigilância contínua e permanente. Tal vigilância, deve ser fruto de um trabalho pastoral consistente e constante.
De que forma esse trabalho pastoral deve ser desenvolvido e por quem?

2. O trabalho pastoral: forma e desenvolvimento
Podemos dizer, que o apóstolo Paulo foi o primeiro pastor que a igreja de Éfeso teve. Ele não foi apenas o missionário que pregou o Evangelho entre os efésios, necessário à conversão deles, mas, também, foi aquele que os instruiu na fé, fazendo-os discípulos. Paulo esteve em Éfeso durante três anos e muniu aquela Igreja e sua liderança, de todos os ensinamentos indispensáveis a sua existência e preservação.
No processo de plantação da igreja de Éfeso, Paulo procurou desenvolver seu ministério pastoral, de tal forma que tal igreja, pudesse de forma saudável se desenvolver e ser preservada de contaminação.
Do testemunho expresso pelo apóstolo Paulo, podemos extrair alguns princípios importantes para o desenvolvimento de um ministério pastoral bíblico:

2.1. O ministério pastoral é desenvolvido em meio a sofrimentos.
Paulo diz que seu ministério entre os efésios foi marcado por lágrimas e provações (v. 19, 31). As lágrimas foram derramadas por causa dos sofrimentos que lhes foram infringidos por seus perseguidores. Mas, lágrimas foram derramadas por causa dos crentes. Paulo sempre demonstrou grandes preocupações pelos crentes das igrejas por ele iniciadas. Às vezes chorava por perceber que alguns se desviavam de Cristo Jesus (Fp 3.18). Derramou lágrimas ao escrever, por exemplo, suas epístolas aos coríntios (2Co 2.4). Suas lágrimas derramadas em favor dos crentes, serviam como prova de que seu ministério era desenvolvido de forma responsável e fruto de um coração sincero, desejoso de ver o progresso da Igreja de Cristo nos diversos lugares.
O apóstolo Paulo escrevendo suas epístolas a Timóteo, demonstra a seu filho na fé, que o ministério pastoral implica em sofrimento, por causa de Cristo Jesus (2Tm 2.1-13; 3.12).
Paulo também sofreu perseguições e emboscadas dos judeus. Desde a sua conversão, os judeus procuravam de todas as formas prejudica-lo (v. 19). “ [...] as tramas dos judeus contra a sua vida pareciam ocorrer com incrível freqüência, ora em Damasco ora na Ásia Menor, Macedônia, Grécia ou Jerusalém” (At 9.23, 24, 29; 14.5; 20.3; 23.12; 25.3; 2Cor 11.26).
O testemunho do apóstolo Paulo sobre seus sofrimentos, nos indica que o ministério pastoral implicará em algum momento, em sofrimentos e ou até mesmo em perseguições. O pastor deve estar ciente do preço que se paga, ao realizar com fidelidade e sinceridade, sua vocação. Muitos são aqueles que diante das dificuldades do ministério pastoral, abandonam tudo, ou sucumbem diante das dificuldades. Há aqueles, que se entregam a um ministério medíocre, sem autoridade, pelo fato de que, com medo de desagradarem a comunidade, afrouxam seus valores e princípios, para não sofrerem represarias.
Nós pastores, a despeito dos sofrimentos que possamos passar, não podemos nos esquecer que acima de tudo servimos a Cristo, e que, muitas vezes em tal serviço, para agradar o mestre, precisaremos contrariar pessoas, o que poderá redundar em sofrimentos.

2.2. O ministério pastoral ocupa-se da tarefa primordial da instrução bíblica.
Em seu ministério pastoral entre os efésios, Paulo ocupou-se primordialmente da instrução bíblica dos crentes e daqueles que se tornariam líderes em tal igreja. Paulo muniu aquela igreja, seus crentes, de todos os ensinamentos necessários para que pudessem ser preservados do erro. Ao se dirigir aos presbíteros da igreja, Paulo não tem mais nada a acrescentar, a não ser alerta-los e coloca-los em vigilância, pois, o inimigo se voltaria contra a igreja, como um lobo tentando devorar o rebanho.
Paulo diz que não havia deixado de anunciar coisa alguma proveitosa. O apóstolo está seguro que durante o tempo em que esteve entre os efésios, tudo quanto foi necessário ele anunciou, não deixando nada de lado (v.20). Anunciou a todos, tanto gregos como judeus, o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus (v. 21). Não deixou de anunciar todo desígnio de Deus, ou seja, “Paulo não suprimiu nenhuma das verdades do evangelho, mas pregou o evangelho completo a judeus e gentios”.
A tarefa primordial do pastor é anunciar todo o desígnio de Deus, anunciar o arrependimento e a fé em Cristo a todos os homens. Sua tarefa é munir a igreja de ensinamentos bíblicos, necessários para enfrentar os desafios da vida cristã.
Erwin W. Lutzer, no prefácio do livro O ministério Pastoral segundo a Bíblia, refletindo sobre as tendências modernas, e o desafio de se manter o ministério centrado na Bíblia diz o seguinte:

"Como pastores, todos nós já participamos de conferências para encontrar a “chave” para um ministério bem-sucedido. Estamos interessados em aprender as últimas novidades sobre o crescimento da igreja, as últimas teorias sobre administração eclesiástica e a melhor maneira de organizar nossos pequenos grupos. Enquanto pode ser argumentado que tudo isso tem o seu lugar, a verdade é que muitos ministros estão sendo afastados da centralidade bíblica, substituindo aquilo que é central pelo que é periférico. O que está faltando é um profundo comprometimento com uma vida santa, um desejo ardente por saúde espiritual e pela salvação da congregação; em resumo, o que está faltando é uma abordagem radicalmente bíblica a toda obra da igreja."

Para que a Igreja de Cristo, existindo por meio de determinada comunidade, possa ser preservada do erro, é preciso que o seu ministro cumpra de forma cabal e fiel o seu ministério de anunciar os desígnios de Deus. Estamos certos de que o exercício de um ministério centrado nas Escrituras, servirá tanto para preservação da igreja, bem como para a sua revitalização, caso a igreja tenha ficado adoecida. Tempos depois, escrevendo suas epístolas a Timóteo, num momento em que, ao que parece, a igreja de Éfeso estava sendo contaminada por falsos ensinos, Paulo é enfático em demonstrar a importância da centralidade do ensino e instrução bíblicos, para a saúde e revitalização da igreja (1Tm 4.6-16; 2Tm 4.1-5).

2.3. O método de Paulo para instruir os crentes
Em seu trabalho pastoral, Paulo se utilizou de todas as possibilidades, para anunciar as verdades de Deus. Seu método não foi único, rígido, inflexível. Em alguns momentos ele se utilizou do método da pregação pública. Por certo ele aproveitou os cultos públicos para anunciar todo desígnio de Deus. Em outras ocasiões, visitou os crentes e de casa em casa deu continuidade às suas instruções. Naquela época, muitas igrejas funcionavam nas casas dos crentes (Rm 16.5; Cl 4.15; Fm 1.2). Em outros momentos freqüentou a sinagoga e a escola de Tirano. Percebe-se que seu método era flexível, conforme a necessidade e oportunidade.
O exemplo de Paulo na forma de realizar seu ministério de ensino, mostra-nos a necessidade de desenvolvermos nosso ministério com criatividade, ou seja, adaptando-o as condições e necessidades do campo, sendo flexível na aplicação de métodos de ensino. Infelizmente, muitas das dificuldades que enfrentamos como ministros do evangelho, tem relação com isso que dissemos. Temos que estar sensíveis as oportunidades. Por exemplo, há igrejas cujos membros devido as suas ocupações semanais e a distância que moram da igreja, não conseguem freqüentar os trabalhos semanais, mas, se sentem em condições de participar de uma reunião familiar perto de sua residência. Neste caso, a criação de grupos de estudos em determinadas regiões, poderia suprir as necessidades do ensino bíblico. Em algumas regiões, a visita pastoral é possível, em outras, os crentes devido a seu trabalho e outros compromissos, não dispõe de tempo para receber o pastor. Neste caso e em outros semelhantes, o pastor deverá adaptar seu método de ensino, buscando o que é mais adequado a realidade dos crentes.

2.4. O alvo do ministério pastoral
No verso 24, Paulo demonstra que em sua vida o que ele buscava como alvo era completar a sua carreira, o ministério que recebeu do Senhor Jesus de anunciar o evangelho da graça de Deus (Gl 1.15-16). Para Paulo sua vida não era um bem precioso que deveria ser mantido a qualquer custo, mas, o mais importante para ele, era completar a carreira, ou seja, o ministério para o qual havia sido chamado (2Tm 4.6). Embora, estivesse de partida para Jerusalém, não sabendo o que poderia lhe acontecer, o mais importante para ele, era completar sua carreira.
Paulo serve-nos de modelo de abnegação. Como pastores precisamos aprender com ele a priorizar nosso ministério e vocação. Poderíamos dizer como ele de que estamos dispostos a morrer pelo evangelho de Cristo, se isto for necessário, para completarmos de forma fiel o ministério para o qual fomos chamados?


3. O ministério pastoral dos oficiais da igreja
Na Igreja Presbiteriana do Brasil faz-se a distinção entre presbíteros docentes e presbíteros regentes. Os presbíteros docentes são aqueles cujo chamado e capacitação, os distinguem dos demais, devido a sua especialização no ensino da Palavra. Os presbíteros docentes, são aqueles que na igreja são chamados de pastores. Os presbíteros regentes são aqueles que se ocupam mais detidamente com a regência, ou seja, o governo e administração da igreja.
Essa distinção possui base bíblica. Paulo escrevendo a Timóteo faz distinção semelhante: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1Tm 5.17). Tais palavras servem para demonstrar que já no tempo de Paulo se fazia a distinção que se faz hoje, chamando alguns devido a sua especialização, de pastores ou ministros e outros de presbíteros.
Embora haja essa distinção entre presbíteros, no entanto, é digno de nota que ambas as especialidades, demandam responsabilidades semelhantes. “Todos governam, e em certo grau todos ensinam, mas alguns (além de governarem) labutam na pregação (expondo a Palavra na congregação reunida) e no ensino (ministrando instrução à juventude, aos que a buscam, e a todos os que têm necessidade dela)”.
Ao apresentar a Timóteo, quais as qualificações deveriam ter os escolhidos para o ofício de presbítero, Paulo não faz distinção alguma, demonstrando que ambos devem ter as mesmas qualificações.
Ao chamar os presbíteros da igreja de Éfeso, para instrução e despedida, Paulo também não faz distinção alguma. Com certeza, considerando que eram mais de um, é provável que existissem naquela igreja, presbíteros com diferentes especialidades, mas Paulo responsabiliza todos do dever de pastorear a igreja, impedindo que lobos a devorassem. Isto serve para demonstrar que a responsabilidade para pastorear a Igreja de Cristo, que foi comprada por seu próprio sangue, pertence na mesma medida aos presbíteros docente e regentes, é claro, responsabilidade esta, delineada pela especialidade de cada um. Desta forma, o que foi apontado acima, acerca do ministério pastoral, se aplica na proporção de cada especialidade, ao presbítero docente e ao presbítero regente.
Infelizmente a falta de entendimento de que o presbítero docente e o presbítero regente, receberam a mesma incumbência do Espírito Santo (v.28), para pastorearem a Igreja de Cristo, tem feito com que, os pastores fiquem com a maior parte da responsabilidade, enquanto que, a grande maioria dos presbíteros (regentes), se sente desincumbida de tal dever. Não é à toa, que nos últimos anos, tem-se promovido a publicação de livros, revistas e cursos, preparando os presbíteros regentes, para a tarefa de pastorear a igreja. Muitos problemas, dentre eles doutrinários, seriam evitados ou corrigidos, se presbíteros regentes estivessem cônscios de sua responsabilidade pastoral. Algumas vezes, a igreja local, antes pastoreada por um ministro centrado na Palavra, se desvia, doutrinariamente falando, pois, com a saída de tal pastor e a chegada de outro, ensinos diferentes e até mesmo heréticos passam a ser ensinados, sem sofrer qualquer interferência dos presbíteros regentes, visto que, tais oficiais não assumem seu posto.
É imprescindível para a preservação da Igreja de Cristo ou para sua revitalização, que todos os presbíteros, sejam quais forem suas especialidades, que se engajem no pastoreio do rebanho.

Conclusão
O apóstolo Paulo prevendo as investidas contra a igreja de Éfeso, por parte de falsos mestres, lembra os presbíteros acerca do ministério que desenvolveu entre eles. Os efésios haviam sido instruídos de diversas formas e haviam sido munidos de todos os ensinamentos necessários, não faltando a eles mais nada. Paulo demonstra, que o que cabia aos presbíteros agora, era assumir a dianteira do rebanho, e exercer o ministério pastoral de tal forma que a saúde da igreja fosse preservada.
Através das palavras e do testemunho proferidos pelo apóstolo Paulo aos presbíteros da Igreja de Éfeso, podemos extrair princípios importantes para nortear o ministério pastoral exercido em favor da Igreja de Cristo. Antes de tudo, precisamos estar conscientes de que a todo instante a Igreja de Cristo está sob o perigo das investidas do inimigo. Não podemos baixar a guarda, ou acharmos que estamos seguros e deixar de vigiar. A vigilância deve ser constante e permanente.
A vigilância é necessária, mas, também é importante e indispensável para a preservação da igreja e ou sua revitalização, que o ministério pastoral seja exercido de forma consistente, seguindo o modelo encontrado no exemplo do apóstolo Paulo, conforme foi demonstrado no tópico 2.
Por fim, é preciso que se entenda que a responsabilidade do cuidado pastoral, repousa sobre todos os presbíteros, sejam quais forem as especialidades ministeriais. Não somente o pastor, que é o presbítero docente, deve pastorear o rebanho, mas também, cabe ao presbítero regente, exercer tal ministério. É claro que, conforme já procuramos demonstrar, cada especialidade, determinará ênfases distintas.